Blog - “O Bruxo do Cosme Velho e sua relevante contribuição para a cena literária mundial”

“O Bruxo do Cosme Velho e sua relevante contribuição para a cena literária mundial”
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Categorias: Laviniense

PARTE 1

Queridos vestibulandos!

     Quando iniciei a redação deste artigo para meus sete leitores, encontrei certa dificuldade, torturava-me uma dúvida sobre qual autor deveria abordar neste primeiro opúsculo. Isso porque a História nos presenteou com um número infinito de excelentes escritores, romancistas e poetas, de forma que escolher apenas um, dessa constelação de magníficos escritores, tomou-me noites de sono.

     Enfim, cheguei a uma definição, decidi falar um pouco sobre a obra do “Bruxo do Cosme Velho”, o excelente Machado de Assis.

     Machado de Assis foi o primeiro de nossos escritores a não proceder da burguesia rural ou da pequena burguesia urbana. Nasceu no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, a 21 de junho de 1839. Filho de um mulato carioca, Francisco José de Assis, pintor de paredes, e de Maria Leopoldina Machado de Assis, uma lavadeira, branca, e imigrante açoriana. Gente humilde, organizada e benquista no morro.

     Entre a casa pobre dos pais e a casa opulenta da madrinha, passavam-se os seus dias; bem cedo terá aprendido a distinguir a diferença das sortes, talvez a achá-la injusta e incompreensível. Essa formação explica muita coisa no seu perfil – a sua estranha mescla de ambição pessoal e de aceitação da hierarquia social, de convencionalismo e de ceticismo, de conformismo e de relativismo. Sem dúvida que a vida de privação, paulatinamente com a suntuosidade da vida na casa de sua madrinha, deu ao menino Joaquim Maria Machado de Assis a percepção de um mundo marcado por desajustes sociais.

     Muito jovem o menino Machado ficou órfão, sua mãe veio a óbito, depois perdeu a irmã, única amiga. O pai casou-se novamente com uma mulata doceira que foi responsável direta na formação do garoto. Machado de Assis era um menino problemático. Era epiléptico, gago, mulato e pobre. Tais adversidades não impediram que Machado de Assis se tornasse um dos maiores escritores da literatura mundial.

     Nos vestibulares, é necessário entender o estilo machadiano, Machado de Assis implementou em seus livros um estilo único e inconfundível, a cumplicidade do narrador com seu leitor, são frequentes em seus enredos a conversa, as interlocuções com o leitor:

Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo”.

     Outro aspecto de suma importância na obra do escritor é a função metalinguística. Há uma exagerada preocupação do escritor com as técnicas de produção da própria narrativa, são constantes questionamentos sobre a própria obra. Muito marcante, principalmente, na obra Memórias póstumas de Brás Cubas (1881 – Início do Realismo no Brasil):

 

“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco”.

 

     As relações sociais, os relacionamentos pessoais e os dramas familiares também são marcas estilísticas machadianas. Um Machado de Assis que se mostra pessimista em relação ao homem e à sociedade burguesa de seu tempo.

Uma visão negativa e, acima de tudo, pessimista em relação aos homens.

     As críticas ácidas e, ao mesmo tempo, bem-humoradas tornam seus romances e contos um vasto painel de críticas sociais sarcásticas e irônicas.

     Engana-se quem pensa que os enredos machadianos são mal-humorados, muito pelo contrário o cinismo do autor é carregado de uma ironia fina e inteligente. Ele como ninguém explora o humor negro. “Rir nas horas mais difíceis da vida.”

     A análise psicológica das personagens é a maior e mais cobrada característica da literatura machadiana. Machado perscruta a alma de suas personagens. Ele esquadrinha a alma de suas personagens, presenteia-nos com a anatomia do caráter de suas “preciosas criaturas”. Revela-nos as máscaras sociais, critica, desmascara, desvenda os podres da alma humana.

     As personagens machadianas são complexas; são personagens redondas, com muita profundidade, cheias de dramas existenciais e conflitos familiares. Ora enfrentam seus dramas, ora revelam-se impotentes diante deles, são egoístas, vivem seus próprios desejos, fazem de tudo para se dar bem, trapaceiam, enganam, são desvirtuosas, medíocres e hipócritas.

     São vários os temas explorados nas obras machadianas: a loucura (“O Alienista”, “Quincas Borba”); o adultério (“Dom Casmurro”, “Memórias póstumas de Brás Cubas”); a hipocrisia, a mediocridade do homem, filosofias de vida, a crítica social, entre outros.

     Verdade é, vestibulando, que a obra de Machado de Assis foi e sempre será cobrada nos vestibulares mais importantes de nosso país, portanto não poupe esforços, leia muita literatura e estude os principais aspectos de sua obra. “O Bruxo do Cosme Velho” continua mais enigmático que nunca, sempre há algo para descobrir desse intrigante escritor da humanidade.

Abraços, vestibulandos! Até nosso novo artigo. Não tenha pressa de envelhecer.

Profº Jonas Brasil

     

 

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